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Até Que A Morte Nos Separe - Piada Mortal

Kaísa Helane e Washington Barros se conheceram no ambiente do circo, local de trabalho dele e dos pais, onde ele era palhaço. Kaísa era filha de Valter, dono de uma cooperativa de táxi, em Teresina, de quem Washington ficaria amigo mais tarde. Durante o relacionamento que durou nove anos, eles tiveram uma filha chamada Raíssa. Kaísa estava na faculdade, estudando enfermaria, uma oportunidade que ela teve, segundo Washington, graças a ele. Assim como o carro que ele havia comprado: “O dinheiro subiu a cabeça”, ele coloca.

 

Mas Kaísa e Washington já não tinham a mesma vida. Segundo apontam as testemunhas, o ciúmes e a vida itinerante de circo foram os principais motivos para que Kaísa Helane terminasse o relacionamento de nove anos com o palhaço Washington Barros. Após a separação, Kaísa levou sua filha para morar com ela. Um fim de relacionamento calmo. Era assim que soava o término entre Washington e Kaísa. Até Washington flagrar Kaísa com outra pessoa.

 

Quando o palhaço, que também era taxista no horário noturno, passava por um posto de gasolina na zona sudeste de Teresina, e avistou o carro de Kaísa estacionado e vazio, decidiu parar próximo e esperar pelo seu retorno. Algum tempo depois, ela desce de uma caminhonete preta e segue em direção ao seu carro. Washington então pega a arma que carregava consigo durante o trabalho noturno e segue em direção ao carro de Kaísa, entrando pelo banco de trás e assustando sua ex-mulher.

 

Segundo Washington, sua vontade era de apenas conversar com Kaisa, mas ela começou a gritar por socorro pela janela do carro. Os dois, então, entram em um embate físico e a arma de Washington dispara acidentalmente, acertando o tórax de Kaísa, que não suportou o ferimento e morreu na hora. Um policial que estava em um posto próximo foi acionado. Ele tentou impedir a fuga de Washington, com um tiro para o alto, mas o palhaço correu para o seu carro e saiu em escapada. A filha do casal, Raíssa, tinha apenas 5 anos.

 

Mesmo gastando 30 mil reais com um detetive particular, a família de Kaísa não localizou o paradeiro de Washington. Um ano e quatro meses após o crime, ele acabou sendo entregue pelos seus próprios familiares, que trabalhavam com ele no circo da família em Girau do Ponciano, Alagoas, e que até aquele momento não sabiam do crime cometido por ele. Washington foi, então, encaminhado para o Piauí para responder pela morte de Kaísa.

 

O julgamento teve início no dia 07 de novembro de 2012. A principal tese da defesa, dos advogados Hildemberg Cavalcante e Talmy Tercio Ribeiro, foi, desde o início, de que o tiro havia sido acidental. A promotoria segurou a tese de que o crime havia sido premeditado e que Washington havia disparado do lado de fora do veículo, porém o fato não foi comprovado, já que o coldre da arma do acusado estava no banco de trás do carro da vítima.

 

Réu confesso, Washington nunca negou que um dos motivos que o levou a entrar armado no carro de Kaísa foi a traição dela. Ainda que todas as provas apontassem Washington como culpado, ele foi inocentado pelo júri, o que trouxe desolação à família.

 

O mesmo júri afirmou ao pai de Kaísa que pensavam “estar votando em uma coisa, quando votavam em outra”. Eliardo Cabral, o promotor do caso, decidiu recorrer à justiça para que o caso seja julgado novamente.

 

Washington teve como condenação de um a três anos de reclusão, revertidos em cestas básicas que o acusado teria de pagar à família da vítima.

 

Em 2014, Washington ainda trabalha no circo dos pais, em Sergipe. Gostaria de encontrar o pai de Kaísa e conversar com ele sobre toda a tragédia. Ele não vê a filha há quatro anos. Hoje, Raíssa está com nove e mora na região do ABC, em São Paulo, com a tia avó.